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DEPRESSÃO PÓS-PARTO => Amamentação pode ajudar

Por: Dagmar Serpa, com reportagem de Kariny Grativol - Revista Criativa, julho de 2005, Ed. Globo

Mães na contramão

Cerca de 10% das mulheres apresentam depressão pós-parto e não conseguem experimentar a maternidade com alegria

 

Ter um filho é um momento de felicidade suprema, certo? Nem sempre. Para cerca de 10% das mulheres, a maternidade pode ser o início de um pesadelo chamado depressão pós-parto. A atriz americana Brooke Shields viveu a terrível experiência com o nascimento da primeira filha, Rowan, em 2003, e acaba de lançar nos Estados Unidos um livro escancarando sua história (veja ao lado). Em silêncio, outras recém mães se sentem angustiadas, tristes e perdidas quando, pelo senso comum, deveriam estar exultantes. Minha filha chorava e eu pensava: De novo?. Olhava para ela e tinha vontade de chorar, confessa a dona de casa Patrícia Theunissen, de 32 anos. Não entendia nada: a Julia [hoje com nove meses] era a terceira filha, a única planejada. Como podia não amá-la?

Sinais de alerta
Apresentar qualquer um dos sintomas abaixo por mais de um mês após o parto pode ser sinal de que a nova mãe precisa de ajuda médica

    * Tristeza excessiva
    * Choro constante
    * Dificuldade de se apegar ao bebê
    * Desejo de morrer
    * Medo de machucar bebê
    * Agressividade e irritabilidade
    * Alterações de apetite e de sono
    * Perda progressiva da libido
    * Cansaço constante
    * Dificuldade de concentração
    * Desânimo, apatia o
    * Ataques de pânico

Fonte: Joel Rennó Junior, psiquiatra do HC/USP

Chorar ou sentir-se um pouco triste no pós-parto é até comum: 80% das mulheres passam por isso. É o que chamamos de baby blues, espécie de luto pela perda da barriga, diz Rita Calegari, chefe do setor de psicologia do Hospital e Maternidade São Camilo, de São Paulo. Mas isso passa sozinho, em no máximo duas semanas. A depressão propriamente dita não dá trégua sem tratamento. A administradora Alexandra Eid, de 32 anos, só se curou com antidepressivos, e depois de dois anos. Procurei ajuda profissional. Minha família só me criticava: todos achavam que era frescura, conta ela, mãe de uma menina de 6 anos. Hoje, Alexandra está grávida de novo e já procurou um terapeuta. Quer evitar passar por maus bocados outra vez. É importante fazer um trabalho preventivo, para a mulher não precisar recorrer a antidepressivos depois, diz o psiquiatra Joel Rennó Junior, coordenador do Ambulatório Pró-Mulher, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

 

Está certo que é difícil para a família acreditar e entender que a nova mamãe, em vez de estar nas nuvens com seu filhote, está, na verdade, doente. Mas, em quadros do gênero, a família tem um pepel fundamental. É quem está perto que pode observar o comportamento da gestante e, depois, da recém mãe - e, se for o caso (leia os quadros Sinais de alerta e Fatores de risco), fazer soar o alarme e dar apoio. A dona de casa Patrícia garante que não teria superado a depressão sem o marido. Uma vez por semana, ele fica com nossa filha para que eu possa cuidar de mim, diz. Também para cuidar mais de si mesma, Patrícia deixou de amamentar Julia aos quatro meses e meio.

Fatores de risco
Para prevenir, a futura mamãe deve começar a fazer uma terapia logo se...

    * Já teve depressão ou outro distúrbio psiquiátrico antes da gravidez. Ou tiver durante a gestação.
    * Possui casos de depressão na família.
    * Passou por situações estressantes durante a gravidez (perda de emprego, por exemplo).
    * Sofreu abuso (físico, emocional ou sexual) na infância.
    * A gravidez não foi planejada ou desejada.
    * Já passou por gestação ou parto difíceis.
    * Vivenciou morte ou doença grave de alguém próximo.
    * Separou-se do pai da criança durante a gravidez ou logo após o nascimento.
    * Teve abortamentos anteriores (naturais ou provocados) ou perdeu um filho.

Fonte: Angelina Pita, psicóloga


Tristeza sem fim: depois do nascimento de Lucas, Márcia enfrentou mais de um ano de crises de choro

Já para a bióloga Márcia Nunes de Oliveira, de 36 anos, a amamentação foi a melhor arma para vencer as crises de choro no pós-parto. Não conseguia amamentar o Lucas, porque o bico do seio rachou e doía. Eu só pensava: Por que dizem que é bom ser mãe?. Você não dorme, mal consegue se alimentar, a criança chora. O apoio da família foi fundamental para ela superar a depressão. Minha mãe ligou para o obstetra e me levou à força lá. Aí que vi que precisava de ajuda. A bióloga procurou, então, um especialista em amamentação *, o que contribuiu para criar um vínculo entre ela e o filho, hoje com 2 anos. Mas demorou. Foi mais de um ano com crises de choro.

* Prof. Marcus Renato de Carvalho, Clínica Interdisciplinar de Apoio à Amamentação, www.aleitamento.com

 

Os conselhos de quem já passou por isso
A bióloga Márcia Nunes de Oliveira, que teve depressão pós-parto, dá suas dicas preciosas

    * Não se compare com outras mães.
    * Não se sinta culpada se tiver um acesso de raiva.
    * Não tente fingir alegria ou interesse.
    * Admita que você tem um problema e procure ajuda. Se seu filho tiver um pai presente, por exemplo, trate de explicar logo a ele seus sentimentos. Você pode procurar também gente da família, seu médico, um psicólogo ou grupos de apoio.
    * Lembre-se sempre: você não é a única a ter depressão pós-parto. Experimente contar a outras mães seus sentimentos e você verá que eles são bem mais comuns do que imagina.
    * Saiba que nem toda mulher ama incondicionalmente seu filho assim que ele nasce. O amor surge no dia-a-dia.

 

Confissões de uma mãe em crise
Em maio, a atriz Brooke Shields lançou o livro Down Came the Rain (inédito noBrasil), em que relata sua depressão pós-parto. Leia o resumo da história:

A GRAVIDEZ
Aos 36 anos, Brooke e seu marido, o roteirista Chris Henchy, decidiram que havia chegado a hora de ter o primeiro filho. Mas as coisas não seriam fáceis, pois ela não poderia engravidar sem ajuda médica, por causa da retirada de um tumor no colo do útero anos antes. Em dois anos de tratamento, a atriz fez sete inseminações artificiais, até engravidar. A gestação era desejada pelo casal e por toda a família. Três semanas antes do parto, porém, veio uma má notícia: o pai da atriz morreu de câncer e, proibida pelo médico de viajar, ela nem pôde ir ao enterro.

O PARTO
Em 24 horas de trabalho de parto, ela teve apenas 3 centímetros de dilatação e uma cesárea tornou-se inevitável. Acontece que, durante toda a gravidez, Brooke se preparou para um parto normal: fez exercícios, aulas de ioga etc.. Uma vez no centro cirúrgico, viu que havia uma enorme diferença entre o que estava ocorrendo e o que sonhara para aquele momento mágico.

AS PRIMEIRAS SEMANAS
Ainda no hospital, surgiu um sentimento de que algo estava errado: Brooke não sentia vontade de ter a filha, Rowan, perto de si e o choro do bebê a irritava. Ela olhava para o marido e a família, todos felizes da vida, e sentia inveja e culpa. Para completar, os três dias de hospital haviam lhe deixado inchada e suas roupas e sapatos não serviam. Pior: ela teria que enfrentar a imprensa para deixar o hospital. Já em casa, Brooke não sentia mais vontade de viver: imaginava-se pulando pela janela. Quando tinha Rowan no colo, via a filha recém-nascida voando pelo quarto contra a parede ou pela janela. Sentia-se arrependida por ter decidido ser mãe e queria a vida antiga de volta.

 

AMAMENTAÇÃO


Parentes, amigos e o marido perceberam que Brooke não estava nada bem. Por isso, começaram a querer afastá-la do bebê, aconselhando-a a parar de amamentar e dedicar um tempo para si. Mas, curiosamente, tudo o que ela não queria era deixar a amamentação de lado, pois sentia que essa era a sua única chance de manter contato com a filha e conseguir ser feliz com a nova vida.

PROCURANDO AJUDA
Com a volta de Chris ao trabalho, Brooke decidiu buscar ajuda. A simples idéia de ficar sozinha com a filha a aterrorizava. Ela procurou seu médico e começou a tomar antidepressivos e fazer terapia. Também contratou uma babá, Gemma, que a ensinou a cuidar do bebê, dar banho, identificar o motivo do choro etc. Em uma semana, a atriz já começou a se sentir melhor e a ter esperança de finalmente amar a filha.

FINAL FELIZ
Aos poucos, a vida de Brooke foi tomando o rumo que ela tinha imaginado. Quando Rowan fez 6 meses, ela voltou a trabalhar - aceitou o convite para fazer uma minissérie. A decisão foi levar a filha ao set de filmagens e programar pausas regulares para a amamentação. Agora, a atriz já pensa até em um irmãozinho para Rowan.

Foto: Wenn/Brainpix ; Foto: Ernani DAlmeida


Última atualização: 12/5/2011

 

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